quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eu passarinho! - Reflxões e inquietações

0 – Introito
Quero escrever um pouco sobre qualquer coisa. Nisso, inclui-se a vida, a dúvida existencial perene, a dúvida racional, a metonímia do amor, e tantas outras coisas que posso a vir pensar. Respiro, amo e vivo. Talvez tais palavras definem bem minha existência, ou talvez minha essência; quem sabe...?

1 - Sobre o saber: a vida e a dúvida
O que é a dúvida de que falo? Todas. As nossas perguntas que não podem ser respondidas pragmaticamente, que não podem ser testadas e medidas, mas que nem por isso são menos importes, como diriam os materialistas. O que é amor/amar/gostar/apaixonar? O que é viver/morrer/existir/pensar? A biologia traz as respostas, mas incompletas e pretensiosas. A "voz da competência" impõe-se à saudável reflexão autônoma, ao filosofar embriagado. Então somos impelidos a engolir as reações da paixão ou as sinapses do existir. Porém tenho certeza que a maioria de nós rejeita esse discurso competente. Na verdade, não queremos as respostas, queremos o prazer de procurá-las no vazio, para nunca encontrar nem sua sombra. É tal prazer sinistro nasce quando nascemos. Perdoando-me pelo temível trocadilho. Nesse sentido, o amor aproxima-se de forma decisiva do saber, do racionar, talvez formando uma única entidade. O Logos. Nessa dualidade amor-razão surge o ser, que vive para amar e ama ao pensar. Assim como Einstein mostrou que espaço e tempo são na verdade um só aspecto do universo, o continuum, amor e razão são uma só parte da experiência da vida infinda, o Logos. Não há pensar sem o amar, não há amar sem refletir. Daí a poesia, daí as artes, daí a religião, daí a filosofia. Não há homem que não ame, não há que não pergunte.

2 - A matemática metafísica ou existencial
Diz-se que a matemática seria a rainha das ciências, expressão perfeita da própria ordem que supostamente encontramos no universo e, a fundo, em nossa relação com a razão em seu estado 'logos'. Não estão de todo errados. De fato, a obsessão do pitagorismo, na fase primitiva da matemática, pelas formas e números sempre racionais é doravante achada no racionalismo naturalista vigente. Ampliando-se, claro, o conceito a outros conjuntos e a teorias mais mirabolantes, abstratas. De certa maneira, o homem continua iludido pelos números, buscando a máxima da simplicidade e matematicidade perfeitas das leis universais.
2.1: Há indícios de que podemos tratar a mestra ferramenta de forma mais humana. Talvez com preceitos metafísicos ou como uma filosofia da existência, uma forma de buscar a perfeição.
2.2: Os limites de nossa compreensão, não tão evidentes, talvez existam até de forma maior no homem tecnológico e matemático.

3 - Bohr vs Neewton
Talvez o determinismo clássico não fosse necessariamente uma limitação da mecânica pre-quântica. Céticos afirmam ser seu maior triunfo e, em última instância, a chave do entendimento claro e são. Ou tais céticos não estão prontos para lidar com a limite do conhecimento pleno, para o qual não há derivação que imprima valor exato.

4 - A politização da ignorância competente
Por trás do discurso travestido em politizado há o ódio à reflexão. A competência técnica não substitui a visão macropolitica, nem mesmo ao politizar o egoísmo e roupa-lo como indignação patriótica.
4.1: Talvez os competentes não admitam a matemática metafísica. Por falta de humanização, interesse ou conhecimento?

5 - Das flutuações quânticas e das sociais
Ex nihilo, nihil fit. Não existe mais para o humanismo materialista. Agora diz-se ex nihilo, universi fit. Porém permanece a máxima competente para a mudança social: venit ex nihilo, nihil perit.

6 - A batata frita
Pudera uma ondulada batata frita ganhar vida e consciência, veria um mundo no mínimo esquisito. Porém ficaria aliviada ao saber que sua espécie vale bem mais que a nossa.

7 - Poeminha sobre a sanidade
Eis-me enroupado em escrúpulos
Tranquilamente Logrando o voar do corpo e da mente.

Eis-me Pacífico e sentado
Comodamente isolado.

Eis-me são e comportado
Repentinamente desprezado por mim mesmo, louco

8 - A farsa
O saber popular diz ter a mentira perna curta. Não esperavam que ela fosse ser carregada nos ombros de gigantes.

9 – Do livre arbítrio
Nasce livre o homem, com grilões lhe imputados pelo convívio. Não há de ser mais verdade quão falacioso é a negação do livre arbítrio humano. Apesar das inúmeras limitações físicas e cognitivas, têm consciência de seu estado, e o atenua através do amor, ou da razão. Assim a liberdade passa a ser incondicional, já que pode ser definida como a superação, compensação ou a própria percepção dos limites existentes.

10 – Filosofia do vazio
A tentativa de filósofos, ou os que se dizem tal, em destruir o bom senso é sempre vã. Por mais mirabolantes, longos e enfadonhos que sejam seus tratados, falham em enxergar o que não querem: o macro e o homem.

11 – Soma
O prazer tende a nos satisfazer. Exceto quando perpétuo. Que compraz ter um prazer forjado e infindo?                                                                                                                                                      11.1: É, porém, legítima a escolha ‘hedonística’ individual. Considerar a razão suprema universalmente é uma soberba a serviço das classes dominantes competentes.

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