quinta-feira, 26 de junho de 2014

A voz de quem ama


Amo. Como poderia não fazê-lo?
Low.
Down.
Alta tensão, braço coeso com teus olhos.
A tenção de meu coração pelo teu.

 
Amo-te, com todos os meus santos perdidos-
já dizia a poeta
- porem eu, amo contrapeso
Um amor de força insuportável
Que aumenta conforme o quadrado de nossas distâncias.

 
Um quantum de amor
Maior que todos os sóis.

 
E esse amor urânio
Aquece nossa vila e país.

 
Chamo teus amigos
Saio para comer
Sou desenganado
Faço-te sofrer
E acabo, findo, pó.

 
Somente isso, só.

 
E o amor urânio?
Não, amor hidrogênio.
Abunda e abandona. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Reflexões 1

Canção 1 – Introdução à desumanização
Tom harmônico

Reflito a mim mesmo. Então, despido, desvele minha superficialidade. Impessoaliza-se. Então, não mais eu, mas todos, auscultados.

A sociedade trilha rumo à perda do ego sum e completa elucidação do homo.

Não há mais pessoal, não há mais ego, apenas uma coletividade não altruísta. Não há apenas a luta de classes, mas a confusão de um mundo unipolar onde qualquer forma de organização coletiva, ao fracassar, enfraquece também cada um de seus indivíduos.

Ou seja, a organização coletiva humana desorganizou-se. Não há um fortalecimento do conjunto a medida que ele torna-se mais controlado e homogêneo. Há, também, um enfraquecimento da coletividade porque ela não tem mais poder sobre as decisões, a democracia cedeu.

Guardada as devidas proporções, chegamos ao estágio autofágico do homem. As tradicionais abordagens de ‘vilão’ e ‘vítima’ não se aplicam à complexa teia de relações, interesses e frieza calculista do mundo pós moderno. Não se pode mais afirmar que os detentores dos meios de produção são vilões exploram o trabalho, ou que os trabalhadores são vítimas e devem devem tomar o poder. Aparentemente, nenhuma forma de governo, organização ou circulação de bens são capazes de lidar com o homem contemporâneo. Assim, a autofagia constitui um processo em que as supostas vítimas são, também, vilões sem necessariamente chegar ao poder ou deter meios de produção.


Aflora o individualismo, porém com deterioração do ser. O culto narcisista contemporâneo não reflete valorização do ser, mas perda de sua humanidade e florescimento do interesse primitivo. Dessa forma, a humanidade caminha. Talvez a selvageria capitalista reflita a natureza humana, talvez seja um distúrbio social ou por ela induzido. De qualquer forma, breve, revelar-se-á o homo, hoje despido e refletido, amanhã auscultado e examinado.