domingo, 13 de abril de 2014

Quem sou eu para escrever?

Quem sou eu
Para lançar-me nesta arte de barganhar com a língua
De torturá-la ao último substantivo, ao fio de todo advérbio
E assim, furtando-lhe o sentido,
Adquirir para mim significância e razão?

Quem sou eu
Que lanço mão de viver a sanidade
Para copiar a loucura
No meu papel digital?

Quem sou eu,
Ingrato ser, que, sempre, abusa;
E dela tolhe vírgulas
Com a navalha na língua e a metralhadora no teclado?

Quem sou eu?
Sou falante, sou poeta.
Sou louco, sou americano.

Sou senão um propagandista da insanidade de todas as paixões, da loucura dos amores que subsistem por meio dos corações entregues à negação do próprio alívio.


Eis-me, pasmo: não mais sei se sou. 

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