sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A apologética na fé cristã

O treinamento apologético não deve ser visto pelo cristão como um algo mais, ou como alguma coisa para pastores e teólogos. A defesa da fé está enraizada nas bases do cristianismo, assim como o evangelismo, sendo parte fundamental deste. A nossa fé é racional, é provida de sentido e possui fundamentos lógicos: nosso Deus é o próprio Logos, a forma mais suprema de razão que pode existir, um ser puro razão e puro amor.

Considero a passagem de João 1 como um ponto chave da descrição dos maiores atributos do divino, falando tanto sobre o caráter atemporal de Deus, ao mesmo tempo que discorre sobre sua Razão suprema (Logos) e seu amor inestimável pela sua criação. Todos os atributos divinos, incluindo Sua razão são, na verdade, apenas um, de modo que Deus é completo apenas por existir e por ser Deus. Não há uma separação entre amor e razão, ou entre onipotência e atemporalidade: todos são um, assim como não há separação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

É fácil de perceber que a compreensão da razão do divino está infinitamente além da capacidade cognitiva humana, permanecendo mistério a nós. Ninguém jamais viu a Deus, ninguém jamais o contemplou na plenitude de seu atributo divino. Porém, por intermédio de Jesus Cristo, as verdades mais profundas do Divino nos foram revelados: através de Seu amor. E para Deus, o amor é a própria razão, e a razão é o próprio amor. O Amor divino por nós supera qualquer amor, por maior que seja, que teremos por Ele já que provém tanto da razão quanto do amor, em sua perspectiva, apenas uma coisa. Na verdade, não há para Deus qualquer separação entre dimensões que limitam nossa existência: não há espaço, não há tempo, não há limite cognitivo, não há limite do amor, não há limite algum. Deus habita além de qualquer limite que possa sequer existir.

Apesar de nossa incapacidade de entender os planos de Deus por completo e sua Razão transcendental, compreendemos perfeitamente a doutrina da cruz, da ressurreição e da salvação. Pois Deus se fez conhecido e se manifestou através das coisas simples.  Esse evangelho é que devemos conhecer e saber defender. O cristão deve estar sempre pronto para responder, com mansidão e respeito, conforme I Pedro 3:15-17. Não cabe a nós refletir sobre o plano de Deus para o universo ou sobre sua natureza em específico, mas sim sobre o que nos fora revelados, sobre o que podemos compreender sem criarmos suposições tolas e previsões insensatas.

O cristão deve, por meio das Escrituras, da filosofia e das ciências, defender sua fé. Ora, se tudo foi criado por Deus, o Universo, por consequente seu estudo, é a maior testemunha dEle! O salmista já afirmara que "Os céus proclamam a glória de Deus". Por que há em alguns cristãos um repúdio tão grande pela ciência? Não é ela o estudo da obra divina? Então que outra melhor fonte pra falar acerca do criador, senão a obra de suas mãos?

Sendo o evangelho a Verdade a nós revelada, nosso dever é compartilhá-lo com o mundo. Sendo o Universo obra do mesmo autor do Evangelho, nosso dever é fazer conexões entre os dois, um como complemento do outro. Pois assim como Deus se revela por meio de suas escrituras, também o faz por meio de sua obra e por meio da razão. Para isso, devemos usar das duas facetas chave do Atributo divino: o amor, por meio de testemunho vivo, e a razão, por meio de nossos estudos e reflexões do e sobre o universo, da e sobre a Revelação.

Um comentário:

  1. Muito bom, Daniel. Muito profundo, muito bem estruturado, muito bem fundamentado. Além de você conhecer o assunto, ainda escreve muito bem. Parabéns!
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    Júlio Martins

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