sábado, 8 de outubro de 2011

O Plano de Jobs

Os fãs da Apple podem ficar sossegados. Antes de deixar definitivamente a companhia, no fim de agosto, Steve Jobs organizou um plano de lançamentos para os próximos quatro anos. A previsão inclui atualizações dos consagrados iPod, iPhone e iPad e, provavelmente, novos produtos. O planejamento, aliado ao DNA inovador que Jobs implantou em sua equipe, mantém a Apple em posição confortável em relação aos concorrentes. Resta saber se os executivos que agora comandam a empresa terão o mesmo tino do cofundador para sacudir o mercado na hora certa. Ontem, o corpo de Jobs, morto na última quarta-feira, foi velado em uma cerimônia discreta, restrita a amigos e familiares.

Embora seja difícil prever como a Apple vai se sair sem seu mentor, analistas apostam que a companhia manterá a trajetória de sucesso, pelo menos, no curto prazo. "Algumas fabricantes podem pensar em tirar proveito (da morte de Jobs), mas os próximos dois anos já estão decididos", afirma Carolina Milanesi, vice-presidente de pesquisa da consultoria Gartner. Assim, a Apple deve permanecer como líder no setor de tablets. Segundo estimativas do banco JP Morgan, a empresa da maçã será responsável por mais de 70% das unidades vendidas até o fim do ano.


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Outro produto que deve continuar abocanhando consumidores é o iPhone. O celular inteligente não domina o mercado - comandado pelo Android, do Google, que está presente em mais de 40% dos aparelhos (só porque é baratinho) -, mas tem usuários extremamente fiéis. "A Apple sempre se preocupou em criar equipamentos surpreendentes. Ela não vende produtos, e sim experiências", comenta Bruno Freitas, analista da consultoria IDC. Carolina Milanesi acredita que a vendas serão impulsionadas por conta do barateamento do smartphone nos Estados Unidos. Por lá, a quarta versão teve queda de US$ 100 no preço, enquanto o iPhone 3G está saindo de graça com planos de fidelidade em operadoras de telefonia.

No longo prazo, o desempenho da Apple vai depender do timing do CEO Tim Cook e de seus colegas de equipe. "Todo mundo sempre pensa em coisas inovadoras, mas é preciso lançá-las no momento adequado", lembra Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. "Jobs pode ter deixado um plano de lançamentos para os próximos quatro anos, mas isso pode mudar com o tempo", diz. A experiência da Apple também mostra a necessidade de estar atento ao mercado de consumo. Antes de lançar o iPhone, em 2007, Steve Jobs havia pedido a criação de um protótipo de tablet. Mas, à época, decidiu que era melhor investir em um smartphone. O iPad só veio no ano passado.

A preocupação do empresário com o futuro de sua cria fez com que ele continuasse envolvido em projetos da Apple durante o tratamento do câncer. Segundo reportagem do jornal britânico Daily Mail, o visionário teve participação ativa no desenvolvimento do iCloud, o serviço de computação em nuvem da companhia, lançado em junho. Na época, ele já estava de licença, embora permanecesse como CEO e presidente do conselho diretor. Ainda em junho, Jobs teria participado de uma reunião para definir a nova sede da Apple. O edifício, localizado próximo ao atual, em Cupertino, na Califórnia, deve abrigar os 12 mil funcionários da empresa em uma ampla área.

A mudança física não é a única pela qual a companhia deve passar nos próximos meses. Com a morte do fundador, a Apple precisa definir um novo presidente para seu conselho. Jobs acumulava essa e a função executiva, mas o mesmo não deve acontecer com Tim Cook, que o substituiu no cargo de CEO. "O conselho precisa ser expandido. Eles precisam buscar novos talentos independentes, pessoas que não tenham vivido à sombra de Steve", afirma Jim Post, professor de governança empresarial na Boston University. "A mensagem até agora era ′confiem no Steve`, mas a nova mensagem terá de ser `confiem na equipe`. Não haverá mais um culto pessoal", completa o especialista.

Peter Misek, analista da consultoria Jefferies & Co, concorda que os conselheiros da Apple devem procurar um diretor independente. "Cook já tem deveres demais a assumir", constata. A companhia não revelou quando deverá escolher o novo ocupante do cargo. O conselho da empresa tem sete integrantes, entre eles Al Gore, ex-presidente dos Estados Unidos. O órgão é um dos menores do setor de tecnologia em relação ao número de membros. A maioria das empresas contam com 10 pessoas para a tarefa.

Toda vez que uma personalidade famosa morre começa a corrida às lojas para adquirir produtos relacionados a ela. Com Steve Jobs não foi diferente (Nosso outro ADM só baixou o Safari em homenagem à Steve). O livro com a biografia do astro da tecnologia ainda nem foi lançado e já está no topo da lista dos mais procurados na Amazon - maior loja virtual do mundo. O título passou da 424ª posição no ranking geral para a primeira em poucas horas após a morte do cofundador da Apple. No Brasil, nos últimos três dias, a pré-venda cresceu 70% na Livraria Cultura, uma das maiores redes do país. Tamanha procura pelo livro escrito por Walter Issacson fez com que a editora Simon & Schuster antecipasse o lançamento, que seria em novembro, para 24 de outubro nos Estados Unidos. A publicação chegará ao mercado brasileiro na mesma data pela Companhia das Letras.

Além da biografia, vários outros títulos ligados à imagem de Steve Jobs tomam conta das prateleiras das livrarias de todo o mundo. No Brasil, é possível encontrar publicações de R$ 29,90 a R$ 36,90. E não é só por meio de livros que os fãs de Jobs podem homenagear o ídolo. Até mesmo a camiseta preta de gola rolê, que o empresário costumava usar e transformou numa espécie de símbolo pessoal, vem sendo procurada e comprada em vários países. Por meio das redes sociais, internautas de todo o mundo estão combinando transformar o próximo dia 14 no “Dia de Steve Jobs” e, para isso, todos devem vestir a tradicional roupa do gênio da informática: tênis, camisa preta e calça jeans.



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