sábado, 7 de maio de 2011

Invisibilidade condicional linear


A técnica do Ligh Paintig consiste em "captar com uma câmera (de preferência no modo noturno) o rastro deixado pela luz em um ambiente totalmente escuro". Veja abaixo a experiência que fiz com ele, chamada Invisibilidade Condicional Linear.
Invisibilidade condicional linear. © 2011 - Daniel Cunha Rêgo

       A técnica do 'ligh painting' é muito legal por poder captar algo que não conseguimos perceber: o rastro da luz, que o nosso olho raramente consegue ver com todos os detalhes da foto acima. De alguma forma, ela nos permite “ver o invisível”.
      Diferentemente da pintura abstrata no papel, não conseguimos ver como está saindo a obra enquanto estamos-na fazendo. Assim, o resultado é muitas vezes uma surpresa para nós, mas tivemos uma intenção, mesmo que inconsciente, de que o quadro saia do jeito que saiu, coordenando os nossos movimentos na hora de fazê-lo de uma forma controlada por nosso subconsciente, ou não.
      Como as formas conhecidas por nós; a obra tem linhas, segmentos de retas: com um início e um fim. Não sabemos onde começa e onde termina, podendo terem começado no lugar que julgamos ser o fim ou vice versa. Porém, seu significado pode ir muito além de suas linhas, dependendo da visão investida sobre elas. Cada olhar, cada ponto de vista, enxergará algo diferente, muitas vezes, conciliando com experiências que estão experimentando ou já experimentaram ou até sentimentos.     
      Tudo que vemos é graças à luz. Nossos olhos apenas captam a luz refletidas por um objeto. A luz viaja em uma velocidade estupendamente grande, a maior velocidade conhecida em todo o universo: 229.792.458 m/s. Mesmo assim, ela necessita viajar para chegar em outro ponto do universo, mesmo que dure uma fração de milésimo de segundo tão que pequena que nem notamos. A lanterna usada para possibilitar essa obra transformava energia elétrica em luz. A câmera consegue captar a energia transformada em luz e o seu rastro. A luz viajou até a câmera na velocidade já dita, mas viajou. Ela não simplesmente apareceu. Uma série de processos aconteceu dentro da própria lanterna antes que a luz fosse  emitida: ao apertar o botão, o mecanismo permitiu que a bateria da lanterna se encontrasse com outro mecanismo que captou sua energia, transferiu-a até a lâmpada, a fez acender e a luz emitida por ela se chocou com as lentes da câmera e a última, a captou e salvou a imagem em seu cartão de memória.
      A obra não é apenas o resultado final. Todo o processo de criação deve ser levado em conta na hora de observá-la e analisá-la. A imagem da obra em si é o resultado de todas esse processo. Pequenas coisas que julgamos acontecer por acaso podem mudar um universo inteiro. Um operário vindo de Santa Inês, que saiu de lá porque conheceu uma garota aqui e queria namorá-la e que ao chegar Feira de Santana empregou-se na construção de uma escola na Avenida do Contorno pode ter possibilitado essa obra e impossibilitado outras, já que a sua namorada foi atropelada quando ia com ele ao cinema.


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