domingo, 22 de maio de 2016

Podres Poderes

Meu texto também é tropicalista. É talvez uma reflexão despretensiosa, galeanista e caetanista sobre a nossa américa latina (com a e l minúsculos). Sobre o brazil. Não exporei suas veias, mas pretendo extrair algum sangue. Se é que ainda o temos... Eu, um mero espectador, assisto a decadência. Eu, baiano, radicado há alguns meses na Brasília (na de Alceu Valença, mais do que na de Lúcio Costa). Eu, um iniciante na academia, rodeado por Darcy Ribeiro. Guardando, vivendo, desiludindo de sonhos. Eu, um mulato baiano (não tão alto, nem tão mulato): filho do confuso brazil pós-pós-(??)-modernista. Com meu estômago naturalmente antropofágico. Vamos lá! Não farei minha estúpida retórica soar por mais zil anos ;D


Veio 2016, e ainda não veio nada no Massa. Como pode?! Logo esse 2016 tão tricky, não posso simplesmente jogar um take it easy pelo silêncio. Well, allons-y. 

0 - O que é esse ente que chamamos de terra brasilis? Tupi or not tupi? brazil or not brasil? Depois de 500 anos de samba, mulatas, carnaval, futebol, cordialidade, sorriso e macumba, estamos aqui. O que significa o brazil em 2016? Sou produto do brazil-seculo-21. Da democracia, da estabilidade do plano-real, do desenvolvimento social, do brazêl da esperança. Cresci na sexta maior economia do planeta. Esta terra de santa cruz porém nos surpreende a cada dia mais! Agora vivo em meio a uma epública (sem r) decadente, com poderes decadentes, com ideologias fracassadas. Não há ontologia que clarifique nossa amada terrinha do sol, onde vivem deus e o diabo.

O avião-borboleta sobre nossas cabeças
1 - Brasília é o bréziu! A cidade desenhada por Alceu Valença e Renato Russo, cantada nas músicas de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, é o Bê Erre em formato de quadrado. O avião que decola, e pousa onde o sol nunca nasce. (é um link. pode clicar. vai abrir em uma nova guia, você vai entender, e volta pra continuar lendo. livre mercado, todos ganhamos! [pera aí...[). Como em todo aeroporto, aqui não seria diferente: o raio x é inexorável antes de embarcar para o voo brazilêro. A muralha entre o onírico plano piloto e a realidade é maior que a da china, e tão mais discreta. Estamos pouco a pouco compreendendo nosso bràsíù. Roll up for the Mystery Tour! 

2 - Sorriso made in braziu. Nossas últimas festas foram bastante macabras. O carnaval do meu amado xará de sobrenome foi lindo. Assisti de perto, fantasia avermelhada e gritos de felicidade. Peculiar, entretanto: o "bem de todos e a felicidade geral da nação" conclamada por nossas excelências mais pode ser entendida como luta, reivindicação e mobilização. Um carnaval onde uns vencem (ou, coitados, acham que venceram) e outros perdem (na verdade; todos perdem. mas como é bom ser inocente!). Não foi a portela que venceu, foi o retrocesso. Uma de que me orgulho, nas palavras do Darcy Ribeiro (cujo nome não ouso escrever em minúsculas!): Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu. 

3 - Ê bumba aieiê boi! Não há derrotas, há luta. Não há decepções, há utopia. As relíquias do brá-zio. Chegou a hora de ser mais direto: esse texto deriva de outro originalmente pensando para o facebook, que começaria com as seguintes palavras: assisto a decadência da direita brasileira. Assisto a loucura de sua visão conspiratória de mundo. Ironicamente, acompanhada de assunção ao poder. Eis o que temos: um poder institucional, com sustentação [imaterial] decadente.
"Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?"
É a mesma dança, o mesmo bumba-meu-boi, a mesma vida de gado. Me envergonho, e me compadeço por quem a acha linda e samba esse peseudosamba. Que pena, Jorge!

4 - O poder, o br-a-s-s-i-l, Bob Dylan e a ROSA (alemã). How many roads must brazio walk down before he can call him a DEMOcracia? Para a ROSA (é uma flor, uma cor, um nome de mulher, é a simpatia, primeiro encontro do dia), democracia é mais que uma palavra pomposa usada para justificar esse circo do îstado burguéis (como são lindos os burgueses!); é a própria e mal compreendida ditadura da soberania popular. Ditadura da liberdade irrestrita, da esfera pública universalizada. É a ditadura do agir comunicativo. a ROSA murchou, em 19, por amar a dita-dura. Nosso migs vlá-vlá, entretanto, preferia a democracia do sol: la démocratie est moi. Linda, mas autocrática. Seu sucessor aprovou a ideia, e a aprofundou de um modo meigo assustador. Democracia monocrática! Vontade popular que só eu sei. Uma temeridade, da ussr para o bananasil. Não me agradeçam por isso ;

Nossa terrinha amada deixaria
Salvador Dali com inveja
5 - Chegamos a conclusão que Focault temeria. O brás Zil é uma crise existencial com 204 milhões de loucos bipolares. A DEMOcracia que queremos é aquela que respeita o "clamor popular" ao mesmo tempo que massacra minorias. A segurança que queremos é aquela que fomente o ciclo de violência. O diálogo que queremos é aquele em que falamos e somos ouvidos, a recíproca é falsa. Queremos misturar maiame com cocacabana, mas bombarderar solnascente com o caveirão! Eita eita eita...

6 - é o fim do bRaZiU? Não. O BRas já acabou há pelo menos uns 5 séculos. O que fazemos hoje é tentar ressuscitá-lo! Paciência. Estamos já no segundo dia! Ao terceiro, espero, haverá glória! 

Já qui sou brázilêro :
Sigamos a luta! A utopia, mais do que nunca, está viva em nossos corações! Viva Darcy. Viva Zumbi. Viva Conselheiro. Viva Marighella. Viva Prestes. (re)Viva o Brasil!

--------------
"Ninguém ouviu um soluçar de dor no canto do Brasil."

segunda-feira, 16 de março de 2015

Altos e vazios brados

Ao coro de "Fora Dilma, Fora PT", marcham 3 mil pessoas na Avenida Getúlio Vargas. Motivados por uma compreensível indignação, descambam em precipitadas e perigosíssimas demandas. Éticos, bradam contra a corrupção, personificada de forma indubitável na figura de um único governante. Talvez os mesmos que clamam por justiça ao endossar a (in)justiça com as próprias mãos, ao defender a pena de morte e a tortura policial. Talvez até por isso, muitos defendem o regime militar, em incansável luta contra a vigente ditadura comunista dos devoradores de criancinhas, da qual somente a intervenção yankee nos livraria. Talvez, ainda que obviamente não em sua totalidade, uma classe média reacionária, que segue a risca um discurso midiático competente e que reconhece o quão absurdo é o aumento do dólar, talvez deliberado pela comuna governista, ao atrapalhar suas comprar. Até aqui, só talvez.
Porém o certo é que muitos perderam o juízo. Não por protestar, isso é válido. Não por criticar o governo, ainda mais válido frente o novo pacote econômico austero e a evidente quebra de promessas de campanha por parte da presidenta. Em uma crise, é natural os cidadãos irem a rua. Mas algo está inconsistente. Defender intervenção militar, evocar símbolos nazistas, pedir ajuda estrangeira, manifestar ódio ideológico e partidário ou simplesmente recusar o diálogo e trazer uma demanda pronta, vazia e inconsistente, para não dizer golpista até certo ponto, de impitima é algo que não parece se enquadrar. Não ouso comparar o momento com 64, não teremos um governo ditatorial depois de 30 anos de democracia e com uma relativa estabilidade institucional. Mas é impossível não se deparar com as contradições desse sentimento confuso chamado 'antipetismo'. Evoco Sérgio Buarque: a política torna-se questão doméstica, trama de novela, a discussão torna-se briga de família e os argumentos infantilizam-se, aproximando de xingamentos. "A Dilma está destruindo o Brasil". É o nosso jeito de tratar tudo com as emoções. "Odeio o PT, odeio a Dilma, odeio o Lula".
Basta de corrupção! Chega de comunismo! Fora Dilma, e leve o PT com você. Aliás, nossa cordialidade é mestra em encontrar soluções mágicas e unanimamente aceitas para os mais complexos dos problemas sociais e políticos.

domingo, 1 de março de 2015

Compliação

Não parei com minhas inquietações. Não diminuí minhas reflexões, nem calei minhas denúncias. Estou apenas um pouco mais ausente a esse blog, que dizem estar há muito morto. Não, ele não desaparecerá! Mais do que um arquivo meu, mais do que um simbolismo pessoal, o Massa de Calafetar representa a minha rouquíssima voz perante a sociedade, a minha talvez única oportunidade de expressar, além de minha subjetividade, minhas visões e opiniões sobre o mundo. Não pretendo deixá-lo esquecido.

Em termos práticos, percebi que, pela facilidade em quesito interação ou até mesmo alcance dentre as pessoas que costumo conviver, vim preferindo usar o Facebook para compartilhar o que acho importante, para escrever um ou dois parágrafos ou para estimular discussões. Nesse último, ao menos, ele é bastante eficiente. Porém, ele não é público. Mesmo que atinja um número de pessoas potencialmente maior que este blog, através de compartilhamentos e afins, meus posts no Facebook não são acessíveis para qualquer internauta. Além disso, ele é uma péssima plataforma em se tratando de busca; o blog serve muito melhor como um arquivo de ideias e escritos, enquanto o Facebook preocupa-se em organizar fotos e momentos.  

Por isso, resolvi trazer para este Post algumas das coisas que venho compartilhando no Facebook e, em alguns momentos, até mesmo aspectos mais importantes de determinadas discussões. 

Para que seja quebrado o ciclo de violência no Brasi, é urgente o combate à violência já institucionalizada praticada pelos agentes do Estado. Concomitantemente, urge a implantação de um welfare state realmente comprometido com o combate à violência social, na forma de desigualdade de renda e de acesso a serviços, sobretudo educação digna. Não existe qualuquer outra solução.


Em seu relatório anual, a ONG culpa a militarização da polícia pela manutenção do alto índice de violência e número recordes de homicídios no Brasil
CARTACAPITAL.COM.BR




















O protofacismo desse tipo de pensamento é tão violento quanto a violência que ele busca, pela imposição da força ao invés da razão comunicativa e da solução de problemas sociais, combater. Talvez até mais danoso, sendo uma forma ideológica de sustentar um ciclo vicioso de violências e violações.

Quando a violência urbana chega ao limite do tolerável, ecoa em alguns setores da sociedade o grito histérico da ignorância, que contribui para gerar ainda mais brutalidade
REVISTADEHISTORIA.COM.BR

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eu passarinho! - Reflxões e inquietações

0 – Introito
Quero escrever um pouco sobre qualquer coisa. Nisso, inclui-se a vida, a dúvida existencial perene, a dúvida racional, a metonímia do amor, e tantas outras coisas que posso a vir pensar. Respiro, amo e vivo. Talvez tais palavras definem bem minha existência, ou talvez minha essência; quem sabe...?

1 - Sobre o saber: a vida e a dúvida
O que é a dúvida de que falo? Todas. As nossas perguntas que não podem ser respondidas pragmaticamente, que não podem ser testadas e medidas, mas que nem por isso são menos importes, como diriam os materialistas. O que é amor/amar/gostar/apaixonar? O que é viver/morrer/existir/pensar? A biologia traz as respostas, mas incompletas e pretensiosas. A "voz da competência" impõe-se à saudável reflexão autônoma, ao filosofar embriagado. Então somos impelidos a engolir as reações da paixão ou as sinapses do existir. Porém tenho certeza que a maioria de nós rejeita esse discurso competente. Na verdade, não queremos as respostas, queremos o prazer de procurá-las no vazio, para nunca encontrar nem sua sombra. É tal prazer sinistro nasce quando nascemos. Perdoando-me pelo temível trocadilho. Nesse sentido, o amor aproxima-se de forma decisiva do saber, do racionar, talvez formando uma única entidade. O Logos. Nessa dualidade amor-razão surge o ser, que vive para amar e ama ao pensar. Assim como Einstein mostrou que espaço e tempo são na verdade um só aspecto do universo, o continuum, amor e razão são uma só parte da experiência da vida infinda, o Logos. Não há pensar sem o amar, não há amar sem refletir. Daí a poesia, daí as artes, daí a religião, daí a filosofia. Não há homem que não ame, não há que não pergunte.

2 - A matemática metafísica ou existencial
Diz-se que a matemática seria a rainha das ciências, expressão perfeita da própria ordem que supostamente encontramos no universo e, a fundo, em nossa relação com a razão em seu estado 'logos'. Não estão de todo errados. De fato, a obsessão do pitagorismo, na fase primitiva da matemática, pelas formas e números sempre racionais é doravante achada no racionalismo naturalista vigente. Ampliando-se, claro, o conceito a outros conjuntos e a teorias mais mirabolantes, abstratas. De certa maneira, o homem continua iludido pelos números, buscando a máxima da simplicidade e matematicidade perfeitas das leis universais.
2.1: Há indícios de que podemos tratar a mestra ferramenta de forma mais humana. Talvez com preceitos metafísicos ou como uma filosofia da existência, uma forma de buscar a perfeição.
2.2: Os limites de nossa compreensão, não tão evidentes, talvez existam até de forma maior no homem tecnológico e matemático.

3 - Bohr vs Neewton
Talvez o determinismo clássico não fosse necessariamente uma limitação da mecânica pre-quântica. Céticos afirmam ser seu maior triunfo e, em última instância, a chave do entendimento claro e são. Ou tais céticos não estão prontos para lidar com a limite do conhecimento pleno, para o qual não há derivação que imprima valor exato.

4 - A politização da ignorância competente
Por trás do discurso travestido em politizado há o ódio à reflexão. A competência técnica não substitui a visão macropolitica, nem mesmo ao politizar o egoísmo e roupa-lo como indignação patriótica.
4.1: Talvez os competentes não admitam a matemática metafísica. Por falta de humanização, interesse ou conhecimento?

5 - Das flutuações quânticas e das sociais
Ex nihilo, nihil fit. Não existe mais para o humanismo materialista. Agora diz-se ex nihilo, universi fit. Porém permanece a máxima competente para a mudança social: venit ex nihilo, nihil perit.

6 - A batata frita
Pudera uma ondulada batata frita ganhar vida e consciência, veria um mundo no mínimo esquisito. Porém ficaria aliviada ao saber que sua espécie vale bem mais que a nossa.

7 - Poeminha sobre a sanidade
Eis-me enroupado em escrúpulos
Tranquilamente Logrando o voar do corpo e da mente.

Eis-me Pacífico e sentado
Comodamente isolado.

Eis-me são e comportado
Repentinamente desprezado por mim mesmo, louco

8 - A farsa
O saber popular diz ter a mentira perna curta. Não esperavam que ela fosse ser carregada nos ombros de gigantes.

9 – Do livre arbítrio
Nasce livre o homem, com grilões lhe imputados pelo convívio. Não há de ser mais verdade quão falacioso é a negação do livre arbítrio humano. Apesar das inúmeras limitações físicas e cognitivas, têm consciência de seu estado, e o atenua através do amor, ou da razão. Assim a liberdade passa a ser incondicional, já que pode ser definida como a superação, compensação ou a própria percepção dos limites existentes.

10 – Filosofia do vazio
A tentativa de filósofos, ou os que se dizem tal, em destruir o bom senso é sempre vã. Por mais mirabolantes, longos e enfadonhos que sejam seus tratados, falham em enxergar o que não querem: o macro e o homem.

11 – Soma
O prazer tende a nos satisfazer. Exceto quando perpétuo. Que compraz ter um prazer forjado e infindo?                                                                                                                                                      11.1: É, porém, legítima a escolha ‘hedonística’ individual. Considerar a razão suprema universalmente é uma soberba a serviço das classes dominantes competentes.

domingo, 14 de dezembro de 2014

High Noon

Não tem abandona, oh, querida 
É complicado, eu se----ei! 
Não me abandona, oh, queri---da 
Sempre te amarei

Já não sei mais que mal me espera 
Coragem sei que hei de te-er 
Para enfrentar com tal cautela 
Ou um covarde, sempre covarde 
Ou um covarde eu hei de ser!

Eis-me quebrado: amor, respeito 
Não há beleza em meu peito 
Cerra o punho pois já está 
Ao meio dia 

Ele jurou em seu exílio: 
“A vida d’outro eu retiro” 
Não temo a morte mas, porém
Quem hei de ser, se fugires?


Não me abandona, oh, querida 
Recorda as juras que me fez! 
Não me abandona, oh, querida 
Estás sofrendo, mas vai vivendo 
Pois eu preciso te amar! 

Adaptação do original "High Noon" (Do not forsake me)

Do not forsake me, oh, my darlin',
On this, our wedding day.
Do not forsake me, oh, my darlin',
Wait; wait alone.
I do not know what fate awaits me.
I only know I must be brave.
For I must face a man who hates me,
Or lie a coward, a craven coward;
Or lie a coward in my grave. 

Oh, to be torn 'twixt love an' duty.
S'posin' I lose my fair-haired beauty.
Look at that big hand move along,
Nearing high noon. 

He made a vow while in state prison:
Vowed it would be my life for his an',
I'm not afraid of death but, oh, what shall I do,
If you leave me? 

Do not forsake me, oh, my darlin':
You made that promise as a bride.
Do not forsake me, oh, my darlin'.
Although you're grievin', don't think of leavin',
Now that I need you by my side. 

domingo, 7 de setembro de 2014

Em 7 de setembro de 1822, Pedro de Alcântara, posteriormente D. Pedro I, gritou, às margens plácidas do Ipiranga: "Independência ou morte"
E desde esse grito foi delegado a nós, de geração em geração, a tarefa de construir, no novo mundo, uma nova Nação, com futuro grandioso, com povo maravilhoso.
E esta tarefa está, até hoje, sendo cumprida por cada um de nós que escolhe não abandonar a Pátria, que reconhece seu dever. Porque não somos apenas mais uma república vagando por aí. Somos o Brasil, somos os Brasileiros. E aceitaremos essa tarefa.

7 de Setembro de 2014.